Publicado em 22 de março de 2017 - por Senado Notícias

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A convite de duas comissões, ministro defende qualidade da carne brasileira

A convite de duas comissões, ministro defende qualidade da carne brasileira
A convite de duas comissões, ministro defende qualidade da carne brasileira

Em audiência pública sobre a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, promovida nesta quarta-feira (22) pelas Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Assuntos Econômicos (CAE), o ministro da Agricultura Blairo Maggi defendeu o processo de industrialização de carnes no Brasil e o serviço de inspeção que atesta a sanidade dos frigoríficos e granjas. O encontro foi marcado após a aprovação, nesta terça (21), de requerimentos nas duas comissões convidando o ministro para esclarecer as medidas tomadas pelo governo diante da ação da PF. Para Maggi, é hora de recuperar a confiança do mercado internacional ao mostrar que o problema detectado na operação é “pontual e localizado”, relacionado ao “desvio de conduta de servidores” e não à qualidade do produto.

— Nós apoiamos a investigação da Polícia Federal desde que feita dentro dos critérios que deve ser feita, com técnicos que conheçam os regulamentos — ressaltou.

O ministro disse também que não tem como defender quem cometeu irregularidades. Três frigoríficos foram interditados e outros 18 tiveram as exportações suspensas até que as fiscalizações sejam concluídas. Segundo ele, os países que receberam mercadorias dessas empresas já foram avisados. Também houve conversas com Argentina, Chile Uruguai.

Depois de o Japão declarar que vai suspender temporariamente apenas a importação das 21 unidades investigadas, a maior preocupação do governo agora é com a China e Hong Kong, responsáveis por cerca de 40% das exportações e receitas.

— Na exportação, se houver embargo, nós vamos levar de três a cinco anos para reconquistar esses mercados. Estamos trabalhando muito para que o problema fique restrito a essas 21 empresas, em um enfrentamento claro, direto, transparente, rápido e eficiente — disse o ministro.

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A audiência teve a cobertura da imprensa chinesa. Os senadores lamentaram a repercussão na imagem do país como exportador de carne. O ministro negou as notícias sobre a mistura com papelão, o uso de ácido e a venda de carne podre. Em resposta ao vice-presidente da CAE, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Blairo Maggi afirmou que uma das primeiras medidas do Ministério da Agricultura foi declarar um autoembargo.

— A imagem do Brasil está arranhada, os prejuízos são grandes — afirmou o ministro ao informar que houve uma oscilação no mercado desse setor de aproximadamente 10% após a divulgação da investigação federal.

Blairo Maggi registrou também que o setor de carnes gera 6,7 milhões de empregos no país, além de envolver mais de 300 mil famílias no campo.

Dalírio Beber (PSDB-SC) descreveu a Operação Carne Fraca como desastrosa para o país e afirmou que a economia do estado dele, Santa Catarina, que é dependente do agronegócio ficou combalida. Ele cobrou informações para a retomada do ritmo de exportações e recuperação do setor.

— Todo a cadeia do setor de proteína animal está preocupada com o presente e o seu futuro. O que precisamos é de informações para que rapidamente possamos agir junto aos mercados compradores e tentar retomar o embarque de carnes no mesmo ritmo que vínhamos fazendo — disse Beber.

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) lamentou a redução no abate e na comercialização de animais em Rondônia, estado que não aparece nas investigações, mas que está sendo afetado pelos resultados da Operação Carne Fraca.

Cidinho Santos (PR- MT) também citou prejuízos dos criadores de aves. Ele avaliou que houve “desconhecimento” do processo industrial de carnes, pois foram apontadas irregularidades em situações consideradas normais.

— Ano passado nós tivemos 852 mil embarques internacionais e só houve 180 notificações, ou seja, de não conformidade — informou.